EP0 - DO DESIGN À RESILIÊNCIA
DESIGN | INSTALAÇÃO | FUNCIONAMENTO | DESEMPENHO | OPERAÇÃO | GESTÃO | CONFORMIDADE | RESILIÊNCIA |
PROCESSO DE AVALIAÇÃO DA CONFORMIDADE DE DATA CENTERS

1. O que é, na prática, avaliar a conformidade de um Data Center?
Um Data Center é uma infraestrutura composta por vários espaços, sistemas e equipamentos que tem a Missão de processor, transporter, armazenar, manter e proteger as informações, de forma que os Objetivos do Negócio sejam atingidos.
Quando em operação, manutenção e situações de emergência, o data center é monitorado para evitar interrupções e danos, ou permitir restaurar a operação e recuperar as informações.
Por isso, não basta verificar apenas se existe um projeto com redundâncias. É necessária uma avaliação abrangente, de forma a assegurar que o Data Center atende à classe de Resiliência declarada.
Para tanto, Evidencias são reunidas para responder se o Design está adequado aos requisitos aplicáveis da norma em compatibilidade com os riscos do Negócio. Verificar se as instalações foram executadas de acordo com o projeto. Testar se os sistemas funcionam conforme previsto, se o desempenho pode ser demonstrado, e se os controles implementados sustentam a operação.
2. Quatro atividades de avaliação
A Avaliação da Conformidade de um Data Center é um processo que combina 3 categorias de avaliação da conformidade (inspeção, certificação e verificação/validação de indicadores) e quatro atividades complementares:

A certificação pode ser o resultado intermediário do processo de avaliação, mas não deve ser confundida com a atestação da RESILIÊNCIA do data center.
É importante salientar que diferentes atividades, produzem diferentes tipos de evidência, por exemplo, relatórios, tabelas de resultados de teste, check lists preenchidos, fotografias térmicas, CFD, memórias de cálculo e outros.
3. Avaliação documental — adequação
Antes de verificar a execução, é necessário compreender aquilo que foi projetado e especificado.
O projeto atende à norma? Está adequado aos requisitos da norma?
A avaliação documental busca verificar a adequação da documentação aos requisitos aplicáveis, ou seja, se os requisitos da norma foram atendidos no projeto.
Entre as evidências para verificar a adequação estão a análise de riscos, os memoriais descritivos, plantas, elevações e layouts, diagramas e circuitos, topologias e redundâncias, memoriais de cálculos de carga, de proteção e de capacidades, especificações técnicas de equipamentos, procedimentos, instruções e planos de manutenção, licenças e outros documentos.

Essas evidências devem ser verificadas para as disciplinas da norma e também para a operação (monitoramento e 3P) e manutenção.
A documentação deve espelhar a condição real de instalação, operação e manutenção e deve permitir aos responsáveis pela operação e manutenção ter o perfeito dominio da infraestrutura para poder tomar as decisões mais eficazes e rápidas, tanto durante a operação, quanto nas manutenções e nas situações de emergência.
A cultura 3P – PRONTIDÃO – PREVENÇÃO – PRÓ-ATIVIDADE deve ser desenvolvida por todos os colaboradores do data center, de forma que a agilidade e eficácia na solução dos problemas do dia a dia, garantam que a DISPONIBILIDADE e os demais indicadores não sofram decrescimos e a RESILIÊNCIA seja mantida.
4. Inspeção
A inspeção permite verificar diretamente as condições existentes no Data Center. Entre as evidências a serem constatadas na inspeção estão as condições físicas, limpeza e organização, boas práticas de instalação, possibilidade de realizar as manutenções, verificação de setup de equipamentos, acompanhamento do testes de desempenho (testes de comissionamento, de burn in, de funcionamento integrado, de simulação de falhas e redundâncias) e outras.
A inspeção avalia a realidade física e funcional da instalação em comparação com o projeto. É uma das formas de verificar a aderência da instalação ao projeto e garantir que, se o projeto atendeu à norma, então a instalação também atenderá.

5. Auditoria — aderência
Se a avaliação documental verifica a adequação, a inspeção e a auditoria verificam a aderência.
A pergunta muda:
Aquilo que foi definido em projeto está efetivamente implantado e sendo praticado?
A auditoria busca constatar evidências da operação de que os procedimentos, instruções estão sendo utilizados; se os registros estão sendo apropriadamente coletados e armazenados; se os controles estão efetivamente implementados e se o monitoramento, via DCIM/BMS é abrangente quanto aos eventos internos, externos e alarmes.
Com relação à manutenção, se existe um plano anual de manutenção, se há procedimentos de verificação (check lists), se os resultados estão sendo registrados, se os indicadores estão sendo alimentados e se ações corretivas estão gerando melhorias efetivamente implementadas.
É importante que as informações, tendências, sintomas, que surgem nas analises das causas dos problemas, alimentem o Sistema de Gestão de Riscos.
PLANO MANUTENÇÃO | EXECUÇÃO | FALHAS | CAUSAS | AÇÕES | GESTÃO DE RISCOS |
6. Monitoramento: transformar eventos em informação

Os Sensores são a fonte mais importante de informação para permitir a medição, controle, tomada de decisões (3P) e gerenciar o comportamento da infraestrutura::
- Físicos: temperatura, umidade, pressão, vazão, volume, nível, vazamento, etc;
- VigiLãncia: cameras, radares, etc;
- Presença e intrusão: infrareds, cameras, abertura de portas e janelas, etc;
- Acesso: cartão, biométrico, etc;
- Proteção e alarme: fumaça, calor, termovelocimétrico, temperature, etc;
- Parâmetros originados nos IHM (interface Homem Maquina) dos equipamentos: tensão, Corrente, potência, temperature, nível, etc;
- KPIs (Indicadores de desempenho): PUE, CUE, WUE, CER, etc;
- KPIs de Manutenção: MTBF, MTTR, paretos de defeitos, nº ocorrências, etc;

O complemento do sensoriamento é o armazenamento dos registros e a posterior e periódica análise doa informação, para efetivamente transformar essas informações em melhorias e consequente manutenação e aumento da Resiliência do Data Center.
O BMS / DCIM são sistemas de monitoramento centralizado que facilitam a visão dos operadores e tomadores de decisão nas situações, tanto normais, como nas emergenciais.
Uma sequência simplificada é:
sensor → BMS/DCIM → informação → análise → decisão → ação
Eventos adversos, sinalizações, parâmetros funcionais e alarmes podem gerar registros que posteriormente contribuem para indicadores e melhoria da manutenção.

7. Validação e verificação de Indicadores Chave (KPIs)

Indicadores chave de desempenho permitem observar o comportamento do Data Center ao longo do tempo e são base para o estabelecimentos de Acordos de fornecimento-SLA entre usuários e data centers. Os mais importantes são: PUE, Disponibilidade, CER, WUE, e outros.
Com a análise desses indicadores é possivel tomar decisões para melhorar a performance do data center, reduzir custos e aumentar a Resiliência do data center.

A Validação é uma verificação que analisa se o metodo utilizado para cálculo tem uma probabilidade aceitável de demonstrar um KPI estimado , ou seja, ele Valida se o metodo e os valores encontrados são plausíveis. Este método pode usar tabelas de dados para MTBF de equipamentos conhecidos, ou ainda dados típicos para determinados equipamentos. A Validação é utilizada quando ainda não há dados reais disponíveis para medição e cálculo.
Quando houver dados disponiveis, o passo seguinte e o da Verificação.
A Verificação analisa a metodologia de medição dos dados obtidos no periodo anterior de 12 meses e também a metodologia do cálculo do KPI.
A Verificação atesta a Veracidade dos valores dos KPIs obtidos.
Além dos KPIs indicados pela série IEC 301234-XX (PUE, WUE, CER, CUE, ITSuv, …) os dados de manutenção preventiva e corretiva (MTBF, MTTR, MMTF, ocorrências, recorrências, degradações,…), quando analisados ao longo do tempo podem trazer muitas oportunidades de melhoria.

8. Conformidade e resiliência

A conformidade precisa ser entendida em relação à resiliência pretendida para o Data Center.
Segundo a IEC 22237-31, a Resiliência pode ser classificada em niveis compatíveis com os niveis “RATED” da TIA-942C.
A Resiliência pode ser classificada através do atendimenton aos seguintes requisitos:
1- Disponibilidade operacional em período de 12 meses;
2- Atendimento aos requisitos de manutenção concorrente. Topologia redundante a nivel de componente N=1;
3- Atendimento aos requisitos de Tolerância à Falhas; Toplogia redundante a nivel de Sistema = 2N;
4- Ausência de SPoF (Single Point of failure), por comprovação via RDB (Resilience Block Diagram);
5- Outros KPIs complementares e opcionais (PUE, MTTR, CER, WUE, ..).
O requisito 1,” DisponIbilidade”, deve ser evidenciado através da “VERIFICAÇÃO” como KPI e pode ser classificado em níveis rated 3 (se A ≥ 99,98%, ou nível 4 se A ≥ 99,99%).
Uma certificação TIA-942C é a evidencia de “manutenção concorrente”, ou “Tolerância à falha”, bastando adicionar um RBD-Resilience Block Diagram e evidenciando o SPoF-Single Point of Failure. E isto complementaria os requisitos 2, 3 e 4.
O requisito 5 é opcional.
9. Avaliar não é apenas verificar se “está conforme”
Um Data Center pode ter projeto adequado, mas execução diferente do projeto;
instalação adequada, mas procedimentos não praticados;
procedimentos adequados, mas manutenção que não preserva as condições necessárias; ou bons indicadores, mas uma vulnerabilidade estrutural.
Por isso, a avaliação precisa conectar design, instalação, funcionamento, desempenho, operação, manutenção e gestão.
Por este motivo a certificação TIA-942C exige supervisões periódicas para verificar se as condições iniciais de certificação, estão sendo mantidas.
As supervisões são realizadas a cada 12 meses e engloba uma inspeção para verificar o estado de funcionamento, a organização e a limpeza dos espaços do data center.
A auditoria é para verificar se o Sistema de manutenção vem cumprindo o planejamento, se os registros estão sendo coletados e armazenados, se os dados e KPIs estão sendo analisados e se as ações de correção, ou de melhoria estão sendo implementadas satisfatoriamente.
Para a DCCert, avaliar a conformidade é constatar, por meio de evidências, que o DESIGN do Data Center está adequado; que as instalações, funcionamento e desempenho estão aderentes ao projeto/design; que os controles implementados sustentam a operação e a gestão; e que, de forma integrada, esses elementos asseguram a resiliência declarada.
CERTIFICAR É A CONSEQUÊNCIA DE BOAS PRÁTICAS, AVALIADAS POR EVIDÊNCIAS DO ATENDIMENTO À NORMA. RESILIÊNCIA É O OBJETIVO FINAL |




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